3õ :a concha em seu ouvido trazendo o barulho do mar: 3õ

3õ Este espaço foi criado com o intuito de mostrar tudo aquilo que se passa na cabeça de alguém. E esse alguém pode ser tu. Um espaço com pensamentos, frases, sentimentos e tudo aquilo que tá presente na vida de cada um de nós. A busca incessante do equilíbrio. Um espaço onde podemos anteceder suspiros e adiantar desesperos. Ou não. 3õ
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canto de iemanjá
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:: Sexta-feira, Julho 22, 2005 ::

E não me venham com essa de que, quem vai pra Bahia ou arredores, é só pra curtir as paisagens... ainda mais no Carnaval!!!

"Rapaz, aquela menina ali não é da PUC? É, tá passando o rodo... E aquela tua amiga, hein? Pois é, tá fazendo fila, por que tu num tenta a sorte? Não, não, tô numa de pensamento. Por quê? Ex-namorada na área, manja? Ih... E não sou só eu, Salvador virou o recanto das ex-namoradas: você paga o fondue durante anos, ensina qual é o De Niro e qual é o Pacino, e depois ela tá aqui pegando um cara tatuado, sem camisa e deixando ele passar a mão na bunda... E tu, num tá pegando geral? Ah, mas eu sou homem. Qual é a diferença? Existe diferença, sim, você sabe disso. Isso não é machismo? Machista é a sociedade, quer ver, ô clarividente? Manda. Então me diz qual é pior: a mulé que pega uns vinte no bloco ou a que pega um e dá pra ele depois do bloco? O que isso tem a ver com a tua mulé? Não interessa, responde. Ih, sei lá, me tira dessa, mete um ponto parágrafo aí, ô de casa!"


Trecho do texto "Um sóbrio em Salvador", tirado do site Tribuneiros


:: 1:50 AM ::

escreve algumas linhas aê: _____________________________________________________________________________________
:: Quinta-feira, Julho 21, 2005 ::

Utilidade Pública

Um dos mais antigos asilos de Porto Alegre, o Asilo Padre Cacique, está precisando de ajuda. O local, que acolhe 150 idosos, precisa de agasalhos e alimentos para que seus moradores possam enfrentar o frio. A instituição recebe apenas uma verba federal e sobrevive com doações espontâneas da população. A colaboração para ajudar os velhos pode ser feita também com trabalho voluntário. Atualmente, o asilo conta com 28 colaboradores que se dedicam à casa sem cobrar nada. Interessados em colaborar podem ligar para os telefones (051) 3233-1691 e (051) 3233-5725.

Faz a tua parte!!! Se tu não fizer quem vai fazer?!?

:: 7:52 PM ::

escreve algumas linhas aê: _____________________________________________________________________________________
:: Quarta-feira, Julho 20, 2005 ::

Eu sei mas não devia

por Marina Colassanti


Eu sei que a gente se acostuma.
Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor.
E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma a acender cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar o café correndo porque está atrasado.
A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá para almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma à poluição.
Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
À luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias de água potável.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se o trabalho está duro a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que gasta de tanto se acostumar, e se perde de si mesma.

:: 8:51 PM ::

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Feliz Dia do Amigo!!!



:: 2:53 PM ::

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:: Terça-feira, Julho 19, 2005 ::

"Você já parou pra pensar
Que você nunca parou pra pensar
Que Pensar é fazer Música?

Pensar é fazer música."

Paulinho Moska


:: 2:34 AM ::

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:: Segunda-feira, Julho 18, 2005 ::

Porque a única certeza que se tem, é que não dá pra sair da vida de alguém assim

É como decidir pegar a última onda do dia e deslizar até a beira do mar. Última onda essa que se torna a melhor surfada nos últimos tempos. Prática que acontece há exatos 16 anos. Quando aquele moleque decidiu comprar a sua primeira prancha, uma K&K vermelha e biquilha. No mesmo final de tarde que chegou em casa com a prancha nova já se colocava em cima dela sobre a cama do quarto. Lembra até hoje o cheiro-doce-de-chiclete-da-parafina-branca. E foi na manhã seguinte, em uma praia que não costuma ter ondas, apenas as ondas que quebram na altura da barriga das crianças e na altura dos joelhos dos adultos. Pois foi numa manhã de sol em que ele amarrou o leash na canela esquerda, deitou em cima da prancha e tentou se equilibrar por não ter a "prática do equilíbrio". O mesmo acontecera na tentativa de sentar na prancha, momento sublime na espera pela onda. E a onda veio. Pois ela veio e ele remou para a sua primeira onda. E, por incrível que pareça, ficou de pé. Logo na primeira onda. E foi ali, naquele exato momento que percebeu a sensação de voar. Porque a sensação deve ser parecida. E naquela época, e a partir daquele dia, o surf entrou definitivamente na vida daquele garoto. E a sua única certeza estava bem debaixo de seus pés. Poderia estar falando de outras coisas, pensando em outras coisas, mas a pouca idade não fazia com que ele fosse muito longe não. A não ser a linda menina-morena que veraneava em frente à sua casa e que fazia seu pequeno coração bater de forma diferente, coisa que ele não sabia explicar. E que acontece ainda hoje, quando a menina-morena aparece em sua frente. As sensações são as mesmas e os batimentos tornam-se também os mesmos do que há 16 anos. Coisas que não conseguimos explicar desde sempre. São tantas as tábuas da salvação, mas a dele, naquele momento, era o surf. Poderia estar falando-pensando na época em Deus, drogas, música, sexo, amizade e amor. Mas não, crianças não pensam assim. Apenas vivem. E, aos 29 anos, ele continua seguindo as ondas com os olhos, como se estivesse com uma prancha sob seus pés. Vício de surfista de alma, coisa que só os apaixonados compreendeme. Hoje, corre atrás do tempo e da vida. Não tem surfado tanto quanto gostaria, mas contina checando as condições de dentro do carro, na Internet e nos jornais.

E aí, vem alguém e te diz: "Você mudou garoto. Ficou mais velho, construiu responsabilidades, criou idéias e sonhos. Mas o surf continua na sua vida, só que antes ele tinha uma importância maior. Aí tu cresce e os interesses mudam. Você conhece alguém, se apaixona, se 'desapaixona', viaja, começa a prestar atenção em música, em livros, cinema, teatro, poesia, suspiros, sensações, estc. Você gosta de surf e música. E quando não tem onda, escuta música. No inverno, viaja com a namorada ou simplesmente troca o mar gelado por um abraço na frente da lareira. E você se contenta em ficar ali. Depois você se casa, tem filhos e começa a curtir a família. Mas o surf continua ali, presente."

E aí tu lembra da primeira e da última-onda-mais-recente-surfada. E te apaixona de novo. E daí tu realmente percebe que não pode desistir. Porque a única certeza que se tem, é que não dá pra sair da vida de alguém assim. E deixar muita coisa pra trás, solta pelo ar...



Música nova: Canto de Iemanjá

:: 2:57 AM ::

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